Alimentação e os impactos na qualidade de vida do seu cão

 

A obesidade canina é um problema cada vez mais comum e isso se dá graças aos frequentes mimos que oferecemos aos nossos animaizinhos, como por exemplo petiscos servidos sem o conhecimento do valor calórico e quantidades excessivas de ração, muitas vezes incrementadas com alimentos inadequados ou que alteram a formulação original, aumentando a carga energética.
Adicione a isso um estilo de vida sedentário, e você terá uma série de fatores que contribuem com o sobrepeso do animal e que muitas vezes são negligenciados pelo tutor por considerar um cachorro “mais cheinho” sinônimo de beleza, força e até mesmo saúde.

Porém, um estudo publicado pelo British Journal of Nutrition em 2008, demonstrou que as consequências de nossas ações podem ir muito além de alguns quilinhos a mais.

A pesquisa teve início em 1987 e o estudo foi feito ao longo de duas décadas com 48 Labradores Retrievers, raça propensa a problemas como excesso de peso e osteoartrite, que foram divididos em dois grupos. Metade dos cães receberam uma dieta de controle adequada aos seus requerimentos diários e a outra metade recebeu uma dieta restrita a 75% da quantidade consumida pelo primeiro grupo.

Assim, foi acompanhada a influência das dietas sobre a expectativa de vida, envelhecimento e desenvolvimento de patologias nos dois grupos. O último cão viveu até 2001, quando completou 14,5 anos. Um dos resultados de maior impacto foi a diferença de expectativa de vida entre os grupos. Os animais com dieta controle obtiveram um tempo de vida médio de 11 anos, já o grupo de dieta restrita passou para uma média de 13 anos de vida.

Os cães da dieta restritiva também se mantiveram mais leves e com a massa muscular e óssea mantida por mais tempo e tiveram um início tardio das doenças, especialmente a osteoartrite, que apesar de ter atingido a maior parte dos animais (43 dos 48 cães) teve o seu tratamento iniciado entre 8 e 14 anos, enquanto nos animais de dieta controle, foi iniciado entre 7 e 13 anos.

Cerca de 23% dos animais foram acometidos por algum tipo de câncer que os levaram a morte o entanto, os animais com dietas restritas vieram a óbito por volta de seus 11 anos, enquanto os alimentados com a dieta controle faleceram precocemente, com uma média 9 anos.

Este estudo demonstra como a alimentação pode impactar na qualidade de vida e deve ser tida como fator importante, devido a diversas condições patológicas associadas à alimentação excessiva:

  • Menor expectativa de vida;
  • Problemas osteoarticulares como osteoartrite;
  • Diabetes devido à resistência à insulina;
  • Maior tendência de desenvolver tumores;
  • Problemas de pele e pelagem;
  • Problemas cardiorrespiratórios;
  • Intolerância a atividades físicas e ao calor;
  • Dificuldade na reprodução;
  • Baixa Imunidade;
  • Maiores riscos em cirurgias;
  • Problemas urinários e pancreáticos.

Portanto, ao cuidar do seu cão, opte por opções mais saudáveis, evite os excessos, pratique atividades físicas e tenha um Médico Veterinário de confiança para acompanhar a saúde de seu peludo.

Texto escrito por Lorian Gonçalves

Referência:

LAWLER, Dennis. Diet restriction and ageing in the dog: major observations over two decades, 2008. Disponível em:<https://www.cambridge.org/core/journals/british-journal-of-nutrition/article/diet-restriction-and-ageing-in-the-dog-major-observations-over-two-decades/3DDCC1DDF5A7D85518684AA687FBA63E>. Acesso em 13 de março de 2018.

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